Melancólico, nostálgico e delicado, esses são os ingredientes de Shinki Oriori: O Sabor da Juventude

O mundo muda tão rápido que às vezes nem nos damos conta das grandes coisas que nos rodeiam e dos acontecimentos que em breve serão apenas memórias. E só percebemos a importância desses momentos quando eles passam realmente. Mas a vida é assim mesmo e só nos resta ter lembranças boas do passado. A Netflix estreou no seu catálogo um dos filmes mais “meigos” da sua lista de obras, Shinki Oriori: O Sabor da Juventude. E ele veio com essa proposta de forma delicada, nostálgica e melancólica! Todos sentimentos reais e bem humanos.

O filme é na verdade dividido em três contos, feitos por criadores diferentes, dois chineses e um japonês. A animação se passa em lugares distintos e simples, que carregam traços marcantes e muito bem ilustrados, semelhantes a Your Name, que aliás foi produzido no mesmo estúdio.

O primeiro conto se chama “Macarrão de Arroz”. É sobre um menino que comia macarrão de arroz (San Shian Bifun), com a sua avó quando ainda era um menino. Mostrando as coisas bonitas que a vida simples trazia na sua infância. Carregando uma melancolia e uma delicadeza bem profunda, fala sobre o primeiro amor em um outro aspecto mais ingênuo, mas sem mostrar a evolução desse romance que só ele viveu. De uma forma inocente o conto vai mostrando todo o processo da criação do macarrão, até chegar a mesa do garotinho, fala sobre os momentos preciosos que passamos com as pessoas que amamos.

O segundo conto foi o que mais gostei, se chama “Nosso Pequeno Desfile de moda”. Conta a história de uma modelo e a sua irmã mais nova estudante de design de moda. É um conto que fala da juventude em sua forma mais vivida e como lutamos para sermos pessoas melhores não só para nós mesmo, mas para as pessoas que consideramos importantes. Talvez seja o conto que mais me chamou atenção comparado com os dois, a história fala sobre a família de forma peculiar e de como ela é importante nas fases difíceis da vida. É o único conto que é narrado e não necessita de cenas do passado para ser feito.

O terceiro conto é sobre um arquiteto que ao fazer a mudança de casa encontra uma fita de 10 anos atrás gravado por um antigo amor de infância. O conto é sobre arrependimentos e como a gente amadurece, e as coisas mudam automaticamente.

Na sinopse do filme está escrito que o filme é sobre histórias que se cruzam, mas não acontece nada disso até as cenas pós-créditos, onde eles se encontram e seus pensamentos finais são narrados individualmente. Essa cena poderia ter sido incluída no meio de algum conto e ao meu ver não foi bem explorada no final, mas não prejudica a narrativa.

Todos os três contos são narrados pela perspectiva dos personagens principais e tudo soa como uma linda poesia e se saem bem ao filosofar sobre questões do tempo e a existência humana . A mixagem de som do filme é o grande segredo para a melancolia e nostalgia que as histórias emanam. Shinki Oriori: O sabor da juventude é um filme da Netflix. É delicado, nostálgico e melancólico.

 

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