Objetos Cortantes: minissérie da HBO aborda as consequências da família disfuncional num drama sombrio e envolvente

Vocês acharam que a HBO não ia lacrar em 2018? Pois bem, aqui vai o lacre: a nova minissérie Sharp Objects. Baseada na obra “Objetos cortantes” de Gillian Flynn  (autora de Garota Exemplar) e que conta com ninguém mais e ninguém menos que a fada Amy Adams protagonizando uma produção sombria, intrigante e reveladora. Sharp Objects já é uma das séries mais comentadas do ano e veio para preencher a falta de Game Of Thrones nas noites de domingo na programação da HBO.

A minissérie se trata de um romance policial que vai muito além da investigação de um possível Serial Killer de crianças assumindo um posto de suspense psicológico e um drama envolvente. A trama gira em torno de Camille Preaker (Amy Adams), recém-saída de um hospital psiquiátrico, onde se internou durante alguns meses devido a suas tendências de automutilação (daí o nome Objetos cortantes). A série começa com Camille ainda ajeitando sua vida e tentando voltar para sua carreira de repórter policial para um jornal não muito prestigiado, o Daily Post. Curry é o editor-chefe de Camille e, afim de conseguir mais popularidade para seu jornal, sugere que Camille volte a sua cidade natal de Wind Gap para produzir uma matéria sobre o assassinado de uma garotinha e o desaparecimento de outra, indicando o surgimento de um possível Serial Killer.

Logo no primeiro contato com a personagem Camille já é possível perceber que a personagem está em constante conflito consigo mesma e com o mundo ao seu redor, além do fato de estar lutando contra sua vontade de automutilação e também o fato de ter problemas quando se trata de alcoolismo. A personagem é desenvolvida de forma gradual, já de primeira sabemos que tem algo de errado com Camille, o que a série nos faz ao longo dos episódios é mostrar o como e o porquê dos acontecimentos que tornaram Camille numa mulher “frouxa” e “insegura”, como a mesma se descreve.

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“Eu me corto, sabe? Também retalho, fatio, gravo, espeto…. Sou um caso bem especial. Tenho uma razão. A minha pele, sabe, ela grita. É repleta de palavras – cozinhar, bolinho, bichano, cachos – como se uma criança da primeira série manuseando uma faca tivesse aprendido a escrever em minha carne.”

A direção é executada por Jean-Marc Vallée, o responsável pelo sucesso da maravilhosa minissérie Big Little Lies, tanto que acabou ganhado uma segunda temporada, e agora em Sharp Objects, nos traz um enredo mais lento comparado as demais produções HBO, o que é essencial para a drama da série uma vez que todo o enredo gira em torno do desenvolvimento de Camille. Um dos principais pontos da minissérie está no desenvolvimento dos personagens e do ambiente no qual a trama se desenvolve, tarefa que é muito bem executada. Para aqueles que leram o livro, é como aquele sentimento de tudo ganhando vida, aquela sensação maravilhosa de pensar “é exatamente como eu imaginei! ” e, para aqueles que não leram, receberam uma ótima ambientação já no primeiro episódio.

O piloto da série exerceu a excelente função de apresentar e inserir bem os elementos narrativos, tanto os personagens quanto a pequena cidade de Wind Gap. E, desde o início é visível que algo ali desperta o lado mais sombrio de Camille, se demonstrando cada vez mais desconfortável em estar de volta a cidade que causou todo o seu sofrimento. Camille tem uma relação conturbada com sua mãe Adora Crellin (Patricia Clarkson), que quando não a trata com insultos e desrespeito, é como se fossem perfeitas estranhas. A personagem também começa a conviver com sua meia-irmã caçula, Amma Crellin (Eliza Scanlen), que desperta a curiosidade da irmã mais velha com suas atitudes inesperadas e personalidade variante, uma vez que é uma delinquente popular nas ruas e uma perfeita “bonequinha da mamãe” em casa.

“Uma cidade tão sufocante e pequena que todos os dias você esbarrava em pessoas que odiava. Pessoas que sabiam coisas sobre você. É o tipo de lugar que deixa marcas.”

Quanto mais conhecemos sobre Wind Gap e todos daqueles causadores das cicatrizes de Camille, descobrimos os fantasmas do passado trazendo à tona a infância e adolescência conturbada da personagem. “Algumas vezes minhas cicatrizes pensam sozinhas”, acho que é a frase que mais descreve a autodescoberta da personagem em meio a tanto caos. Objetos cortantes traz o selo de qualidade HBO e também é marcada pela maneira única que se conduz o enredo da série. Os segundos finais de cada episódio provam que a série pode seguir para um lado ainda mais sombrio aproveitando-se do psicológico para guiar seu enredo.

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