As tramas de Samantha! ironizam a cultura das celebridades

Então gente, eu assisti a mais uma série brasileira original Netflix. Com uma proposta de trazer o humor satírico e com uma trama bem arrumada, eles te levam para um final maduro e um pouco confuso.

Criada pelo Felipe Braga, Samantha! nos mostra o sucesso de uma artista mirim dos anos 80, que agora cresceu e vive querendo mostrar para o mundo que é relevante de alguma forma. Mas ela não é! Então usa o passado pra tentar aparecer e se encaixar no moderno mundo da fama.

A 1ª temporada não impressiona muito, mas a estratégia da Netflix de trazer um humor sarcástico e brincar com o mundo e cultura das celebridades foi sensacional. Vemos então uma personagem que sonha em ser uma grande celebridade, que sonha ser respeitada. Só que as atitudes da Samantha, sempre a levam para um outro caminho. A série tem sete episódios, e cada episódio conta uma história diferente, seguindo os caminhos e setores da industria cultural na televisão atualmente, como o programa de audição de músicas ou digital influencers superestimadas e adoradas.

Samantha é uma pessoa irritante, interesseira, egocêntrica e inteligente, um ser humano né gente? e Emanuelle Araújo carrega muito bem esse papel. Na série eu estava sempre confuso em relação as virtudes morais da Samantha, eu questionava sempre se ela estava agindo como uma pessoa madura ou falando a verdade. Suas ações são propositais, mas ela sempre demonstra seu lado humano quando vê que errou.

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Nos dando uma visão de como era o cenário cultural da época, é apresentado os comportamentos horrendos do cenário cultural na TV brasileira mas de um modo bem medonho, como por exemplo, um maço de cigarro usado como mascote no público infantil, ou os apelidos gordofóbicos que Samantha colocava no seu colega de palco. A série trouxe assuntos sérios e que são bem debatidos atualmente. Como o estereótipo da mulher gostosa em propaganda de cerveja, mas logo são bem resolvidos e filtrados de forma curta e correta, com a filha da Samantha, uma ativista mirim e feminista, que luta por direitos iguais e está sempre atuando de alguma forma no roteiro. O choque de épocas vira foco em cada trama, seja bom ou ruim.

Uma coisa interessante também, foi a série mostrar as diferenças e o modo como a mídia trata a mulher comparado ao homem, no mundo das celebridades. Enquanto Samantha luta para ter um minuto de fama, seu marido ex-presidiário e ex-jogador de futebol,  é estampado na capa da revista por coisas banais, como suas obrigações de pai. E o roteiro mostra com muita clareza, como o homem é aplaudido mesmo depois do erro.

A série não é a melhor coisa que a Netflix já fez, mas se sai bem em muitos quesitos simples. Agora só resta esperar pela segunda temporada e ver se Samantha cresceu mesmo.

 

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