Queen Of The South vai muito além das referências e exala resiliência feminina

Nosso apetite por produções cinematográficas latino-americanas tem aumentado muito ultimamente. Percebemos isso quando vemos as grandes obras do passado ganhando adaptações, e se consagrando como verdadeiras obras icônicas da televisão. Por esses tempos eu tive o prazer de maratonar uma série que é na verdade uma bela adaptação de uma outra telenovela mexicana. Queen Of The South (2016) é uma adaptação de La Reina del Sur (2011), baseada no romance de Arturo Perez. E bom, precisamos muito falar da importância de séries como essas nos tempos atuais.

Queen of the South vai te lembrar da tradicional e boa trama mexicana no começo, quase um conto de fadas; uma mocinha que apanhou muito da vida e que por um desaviso do destino vê sua vida mudada. Mas com tantas reviravoltas já no primeiro episódio, vemos que a série se trata de algo bem mais marcante: Facções criminosas.

Mas olha só, temos então uma série sobre o tráfico de drogas, nos dando uma anti-heroi perspicaz e que leva todo o atenção do roteiro ao lado de personagens secundários misteriosos e bem tanto perigosos de confiança duvidosa. Teresa Mendoza (a atriz brasileira Alice Braga) conduz toda a trama do começo ao fim, e pega toda o brilho em um gênero considerado tradicionalmente machista na industria cinematográfica. Mas não vamos focar apenas na Tereza, a série nos dá Camila Alves, a dona da porra toda que comanda um cartel inteiro feito de homens, e sob suas ordem fazem muito dinheiro no narcotráfico. A série fala o tempo todo em como suas vidas foram afetadas por decisões de homens que fizeram um pouco caso delas, mas elas se mostram fortes e viram o jogo com muita inteligencia colocando muito macho no seu lugar.

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Depois da morte do seu namorado traficante, Teresa está em uma corrida implacável para salvar não apenas a sua vida, mas a vida da sua melhor amiga Brenda (Justina Machado de One Day at The Time) e seu filho. O envolvimento dela com o tráfico vai aumentado cada vez mais, até chegar no ponto em que seu único objetivo é se tornar líder do cartel e assumir o posto da Camila Alves, “sua patroa”. O roteiro é conduzido lindamente entre a corrida implacável de Tereza e a briga de cão e gato entre Camila dona do Cartel de Dallas e Epifânio Alves líder do Cartel no México e futuro governador da cidade, ambos casados que se tornam rivais por interesses em comum.

A série nos mostra mulheres se ajudando o tempo inteiro, para não terem suas vidas destruídas por homens. Tereza, Brenda e Camila são o foco inicial na primeira temporada. As três mulheres se tornam indestrutíveis e conseguem sobreviver em meio a tantos perigos, explosões, tiros no crânio e revira-voltas que fazem de Queen of The South ser tão cômica quanto La Reina del Sur.

Nessa adaptação não vemos delicadeza, a brutalidade e a realidade das favelas do México e cidades suburbanas dos Estados Unidos são o cenário de tiroteios e confrontos com a polícia. Tereza não é nenhum pouco romantizada, nem quando está com o amor da sua vida, a anti-herói se consagra como uma personagem destemida que vai crescendo aos poucos tomando seu lugar nas rodas de poderosos do tráfico, levando cada episódio nas costas.

Sempre esperamos mais da série enquanto ela acontece. Um fantasma da Tereza nos dá plena certeza de que seu futuro está muito bem guardado, rodeado de fortuna, um detalhe que te prende em cada segundo de cena. Queen of The South exala  uma resiliência feminina perceptível que encanta pelo modo como a série é levada. A mulher é capaz de tudo e se brincar ainda faz melhor que muito homem.

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