A importância de Serena Joy para The Handmaid’s Tale

Bom, quem acompanha The Handmaid’s Tale sabe muito bem como essa série não brinca quando o assunto é dar um belo tapa na cara da sociedade atual com a abordagem de um futuro distópico de um governo opressor e totalitário chamado Gilead. Toda a atmosfera e ambientação perfeitamente construída nessa série nos transmite muito bem que não se trata do quão forte de bate, mas sim do quanto se aguenta de pé. A segunda temporada de The Handmaid’s Tale nos traz caminhos inusitados e inesperados agora seguindo rumo a uma trama complexa que acaba gerando sentimentos dúbios acerca dos personagens envolvidos. Assim, a atual temporada se destaca principalmente em mostrar detalhes ainda não explorados na primeira, tanto sobre a extensão territorial de Gilead, onde ficam as colônias e outros detalhes importantes para localizar o telespectador nos acontecimentos que antecederam Gilead.

E, sem dúvidas, outro aspecto importante que a segunda temporada nos proporcionou foi uma visão mais detalhada sobre os personagens envolvidos, como uma visão agora mais subjetiva daquela personagem que nos traz os sentimentos mais controversos:  Mrs. Waterford  Serena Joy (interpretada pela maravilhosa Yvonne Strzechowski). Durante boa parte da temporada Serena busca inacessivelmente pelo poder, seja ele um poder em visão da sua posição em Gilead, seja ele um poder sobre Offred June e também agora como futura “mãe” (?) à espera do bebê de June. Serena detém do poder, e o que não podemos negar é que o poder combina com ela. Há gentileza em suas ações, mesmo que com o pulso firme, agora afirmando aquilo que já esperávamos de Serena: estar apenas na posição de esposa já não basta, ela busca por autoridade, busca ser útil para encontrar soluções quando necessário, ter uma posição de importância e diferença mesmo que isso lhe custe a quebra de leis de Gilead. Podemos ver notáveis diferenças até na conduta de Serena, que agora detém um tom de voz suavizado e se demonstrando cada vez mais compreensiva com algumas situações antes ignoradas.

OFFREDSERENA

E bom, é aí que vemos a verdadeira face da Serena que conhecemos: apenas uma vítima de um sistema que se voltou contra ela. Serena Joy, uma escritora que foi levada ao extremismo por extremistas que se recusaram a ouvi-la mostrando a verdadeira face da falta de diálogo da sociedade e como ações de ódio resultaram no que conhecemos como Gilead. A perspectiva de Serena na série vem sendo formada por uma espiral de sofrimento sem fim, com muitas reviravoltas e a tentativa de se colocar no poder enquanto é oprimida pelo próprio estado. Característica que retrata e faz crítica a posição de acomodação e subordinação adotada por muitos em situações presentes no nosso dia a dia. Faz crítica aqueles que preferem se acomodar a um sistema opressor do que fazer a diferença, espelho da nossa realidade na qual encontramos mulheres apoiando o mesmo sistema que as oprime.

E, bom, a grande questão é: qual será o destino trilhado por Serena Joy? A figura feminina com mais poder dentro de Gilead, que possuí força suficiente para levantar uma revolução contra o estado e trazer a união que sempre sonhamos: as aias e esposas contra Gilead (venham para o lado negro da força, esposas rsrs). Os últimos episódios nos trouxeram estruturas para esse questionamento e também pistas para o fim da segunda temporada como também caminhos para uma terceira temporada.

E a mensagem mais importante que essa temporada de The Handmaid’s Tale vem nos trazer com cada episódio: unam-se frente aquilo que as pessoas dizem, unam-se e sejam fortes a ponto de separá-las, unam-se por mais que digam que seja impossível. Unam-se.

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