“Dear White People” | Temas como blackface, racismo reverso e colorismo são abordados na 2ª temporada

“Cara, gente branca…” e então começa mais um episódio da aclamada Dear White People, que veio carregada de ironia na sua nova temporada. Quem faz a narrativa brilhante dessa série é Justin Simien, ele conseguiu acertar novamente nessa continuação, trazendo vários assuntos, questionando temas e colocando a mesa os problemas que existem quando o preconceito se instala em um grupo.

Leia sobre a 1ª temporada de Dear White People

Justin Simien descreve a vida no campus da Universidade Winchester, misturada racialmente, contada por um narrador irônico em terceira pessoa (Giancarlo Esposito).
A série foca nas tensões raciais no campus depois de uma festa de blackface, mas o ponto alto da temporada acontece no “Capítulo V”, quando um oficial de segurança branco do campus mira uma arma contra Reggie em uma festa. O policial não acreditava que Reggie pudesse realmente ser um estudante, independentemente das afirmações das pessoas que estavam na mesma sala que Reggie. Abordando assim, os estereótipos criados pela sociedade para com os negros e os problemas comunidade negra, mostrando as microagressoes que eles sofrem.

E bom, essa nova temporada vem continuar a narrativa da anterior, ou seja, existe uma grande ferida aberta de sentimentos, emoções a flor da pele e um clímax de tensão no ar, e é partir daí que vemos os escritores da série se aprofundando na vida de cada personagem, e nos trazendo assim temas variados. Se na primeira temporada o nosso maior foco era a ativista biracial e locutora do programa de rádio Sam (Logan Browning), na segunda temporada os redatores exploram de maneira bem profunda os outros personagens e seus dramas, como o introvertido Lionel (DeRon Horton), a lindíssima Joelle (Ashley Blaine Featherson), que inclusive tem um episódio só pra ela, o que me deixa feliz, já que a personagem tem grande potencial. O nosso reizinho Reggie (Marque Richardson) e o filho do reitor Troy (Brandon P. Bell) que termina o final da primeira temporada com um grande protesto.

A estréia da segunda temporada acontece apenas duas semanas após o protesto (e cerca de três semanas após o incidente de Reggie). Suas emoções em torno do evento ainda são cruas, ainda fervendo, e para alguns, ainda sendo repetidas mentalmente, flashs dessa cena acontecem o tempo inteiro. A abordagem permite uma análise mais profunda de eventos passados – mas também permite que os criadores do Dear White People corrijam alguns pequenos erros da primeira temporada, como focar mais sobre o cotidiano dos outros personagens.

Por um lado, embora o “Capítulo V” tenha introduzido o tema necessário que é a brutalidade policial através da terrível experiência de Reggie com a polícia do campus, os episódios restantes da temporada não exploraram o resultado interno tanto quanto eles poderiam ter – estudantes chocados, debates previsíveis e o efeito cascata nos altos escalões de Winchester, que culminaram na reunião da prefeitura (temos um enredo aqui que poderia servir para segunda temporada talvez) – mas a série abordou apenas de forma breve e leve, mostrando como isso penetrou na psique de Reggie.

A segunda temporada ainda fala sobre ataques racistas que são feitos na internet o tempo todo contra negros, Quando Sam tem que enfrentar seus próprios trama raciais, e começa a debater com um troll racista no twitter onde ela passa a maior do seu tempo rebatendo a cada ataque, a série mostra os resultados dessa briga diária e o quão ele afeta negativamente as pessoas fora da web.

A série mostra que não é apenas negros que tem problemas com preconceito (todos sabem disso). Cara, Gente Branca fala sobre estereótipos gays, questiona e ironiza a existência do tema “racismo reverso” como quando vemos um grupo de pessoas brancas criarem um programa de rádio chamado Dear Right People onde eles atacam Sam e seu grupo militante, com discursos conservadores. Dear White people ainda fala sobre colorismo que existe dentro da comunidade negra.

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