Lily Allen acerta ao fazer um pop franco e emotivo em “No Shame”

Depois de quatro anos Lily Allen volta mais reveladora. Ela toma o seu posto na indústria da música e nos dá mais um disco com canções que soam muito verdadeiras e bem distantes daquela Lily Allen que vimos em Sheezus, álbum de 2014. O disco foi produzido com Mark Ranson, e podemos dizer que No Shame tem o pop honesto que todos gostamos e como gostaria que fosse sempre. No Shame é ver Lily Allen se acertar consigo mesma, e sentir ela se mostrando como quer, da maneira que quer!

Se em Sheezus de 2014, Allen nos trazia um pop afiado, em 2018 Lily quer nos proporcionar uma vibe lenta e gostosa que não vamos ouvir em nenhum disco pop até o momento. Sua sonoridade nos faz refletir sobre as letras cantadas de formas seguras e experientes. Ela se preocupou em fazer um trabalho conciso e cheio de mensagens reveladoras do seu casamento e filhas, problemas na indústria fonográfica, o envolvimento com drogas, seu divórcio, e sobre o começo de um amor. É um desabafo pessoal.

Vemos Lily tão profunda consigo mesmo na primeira faixa que abre o disco. Come on Then ela vem rasgar o verbo, esmurra a mídia e ela está disposta a se defender de ataques de pessoas que querem vê-la no fundo do poço. Em Trigger Bang juntamente com o repper Giggs, ela canta “É por isso que eu não posso ficar com a gangue legal/Todo mundo é um gatilho, bang, bang, bang, bang/Adeus, ossos ruins, eu tenho planos maiores /Vou me colocar em suas mãos” Lily se vê confiante o suficiente pra tirar da sua vida as pessoas que só a atrasaram.

Allen fala sobre suas experiências no seu divórcio de maneira profundo mas sem perder a suavidade que o seu vocal proporciona, como em What You Waiting For? Onde ouvimos uma sonoridade que vai lembrar seu primeiro disco Alright, Still, com um trap e reggae que consegue sustentar. Também nas canções Your Choice com Burna Boy, Family Man que veio com uma melancolia pop adorável, e Apple a faixa que veio acompanhada de um piano minimalista, torna a música encantadora.

Lost My Mind é o terceiro single do disco, uma canção cantada com muita simplicidade sem renovar muito na composição sonora, Lily mostra seus medos, solidão, angústias e indecisões que enfrentou no fim do seu divórcio.

Meridian Dan abre Higher, e Lily veio falar sobre a indústria fonográfica e o preço do sucesso na música. A canção faz sentido já que Allen passou por uma crise de identidade em relação as sua musicas. Ela disse que tudo que cantava não era ela, e nem soava verdadeiro para ela mesma, foi a partir daí que o processo criativo de No Shame começou a se desenvolver. Em Three a a ouvimos lamentando por não ser uma mãe tão presente. Em My One ela canta algo sobre encontrar um novo amor e ir longe, e na canção Pushing Up Daisies ela nos diz que já encontrou alguém. Lily termina o disco com a encorajadora e otimista Cake, nos dizendo que lugar de mulher não é em casa, e sim, fazendo sucesso e brilhando pelo mundo. Hino feminista.

Não foi um disco cheio de surpresas, mas podemos dizer que foi mais um comeback genuíno e verdadeiro, carregados de expectativas em relação ao futuro, nos provando que nada é que queremos que fosse. O disco não é dos mais otimistas que Lily ja fez,  mas é um trabalho cheio de valores, onde seu vocal com composições explosivas se encaixa perfeitamente na sonoridade calma e modesta de No Shame.

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