Terminal: total fracasso ou hino incompreendido?

Se tem um tipo de personagem que nos chama a atenção em filmes é a famosa femme fatale, aquela personagem feminina que transborda poder e sensualidade constantemente atravessando a linha entre o bem e o mal. Atualmente, Hollywood anda nos proporcionando grandes obras com essas personagens, como temos em Atômica (2017) protagonizado pela belíssima Charlize Theron e Operação Red Sparow (2018) protagonizado pela nossa querida Jennifer Lawrence. Bom, em Terminal não é diferente, mas dessa vez temos a maravilhosa Margot Robbie dando um show de sensualidade, divertimento e perversidade.

Terminal é o primeiro trabalho do diretor e roteirista Vaughn Stein e a produção nas mãos nada mais e nada menos que da própria Margot Robbie, contando com um elenco maravilhoso formado por Margot Robbie, Simon Pegg, Dexter Fletcher e Max Irons. Pois bem, só por essa introdução já é possível perceber que Margot Robbie irá conduzir todo o brilho da trama, no filme representando a garçonete Annie, uma mulher sedutora, divertida e misteriosa (apontem um defeito nessa mulher e falhem miseravelmente). Outro aspecto que se destaca nesse filme é a belíssima ambientação urbana nos dando uma visão niilista de tudo que é englobado pela trama e o neo-noir que nos traz cenários magníficos sempre com a presença da luz neon e belíssimos contrastes formando uma fotografia, sem dúvidas, impecável.

Mas então, entrando um pouco mais na atmosfera do filme agora, a trama de Terminal é principalmente separada em duas narrativas que nunca se cruzam. A primeira e certamente mais convincente é sobre Bill (Simon Pegg), um professor enfrentando seus problemas internos após descobrir estar morrendo por um tumor ou doença desconhecida sendo perturbado por suas ideias suicidas e as consequentes dificuldades do seu eminente desejo de morte. Bill nos é apresentado entrando no restaurante de Annie durante a madrugada, se tornando o único presente naquela armadilha neon e, portanto, se tornando um alvo perfeito para a sedução de Annie. A presença de Annie é igualmente intimidadora e sedutora (sempre com um largo sorriso no rosto e o batom vermelho em contraste com a fumaça do seu cigarro) agora formando uma excelente companhia para Bill, principalmente quando a conversa se volta para seu assunto favorito: a morte iminente.

A segunda narrativa busca uma visão mais puxada para o Thriller Policial, na qual Vince (Dexter Fletcher) e Alfred (Max Irons) são dois bandidos de pequeno porte que assumem uma missão de alto risco para um misterioso empregador em troca de uma grande recompensa (até aí, uma trama tradicional de thriller policial). Os dois encontram Annie em seu restaurante e chegam a segui-la até um clube de strip chamado “Le Lapine Blanche” (O coelho branco) revelando que Annie está muito mais envolvida na missão do que aquilo que esperávamos.

A drama vai se desenrolando de maneira misteriosa como se a protagonista tivesse sempre um passo à frente de todos os mistérios e segredos envolvidos, o que resulta num show de plot twist ao final das narrativas tornando impossível não pegar o telespectador de surpresa. Terminal tem brilho e elegância visual de sobra, apresentando um cenário infeliz cercado por bulbos neon, o filme é inundado por uma decadência feliz com a qual o diretor de fotografia Christopher Ross nos mostra um mundo tão real e ao mesmo tempo catastrófico.

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Sem dúvidas a atuação de Margot Robbie é o ponto central do filme, como a ícone de moda estadunidense Irs Apfel disse certa vez, “Moda você pode comprar, mas o estilo que você possui”, acho que é a frase que mais descreve o desenvolvimento de Margot Robbie nas telonas, provando cada vez mais que não é só mais um rostinho bonito de Hollywood. Em Terminal, Margot Robbie interpreta a fria afetação de uma Icy Blonde na fumaça do cigarro com seu batom vermelho em uma rua iluminada por placas neon, papel que traduz o DNA do cinema se tratando de elegância. Outra atuação marcante foi a de Simon Pegg, empregando uma grande mudança de seus costumeiros papeis cômicos agora na pele de um homem melancólico e em conflito consigo mesmo.

Tá ok, mas com tantos aspectos bons, como Terminal foi considerado um total fracasso por parte dos críticos e púbico? E é exatamente no roteiro que encontramos o motivo do tal “fracasso”, uma vez que Terminal se torna muito consciente de sua própria astúcia: tanto a tentativa de esconder pequenos detalhes da trama e o resultado final (plot twist) tem consequências até conturbadoras, já que o filme tenta explicar detalhes com uma atenção desnecessária (detalhes que poderiam ser identificados sem precisar de todo o esforço do filme em explicá-los). E também a necessidade de complicação da trama trouxe consequências para o desfecho das mesmas, se o filme possuísse apenas a primeira narrativa entre Annie e Bill seria bem mais interessante. Assim, quem sabe com um pouco menos de estilo e um pouco mais de enredo teríamos aqui um hino de Thriller.

E, bom, Terminal não é aquele filmão da porra ou a possível futura menina dos olhos do Oscar, mas se algum dia alguém pedir uma indicação de um farofão maravilhoso, eu definitivamente indicaria esse filme!

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