“Com Amor, Simon” está longe de revolucionar a temática de filmes LGBT+, mas passa sua mensagem de forma louvável

Eu acredito que todo mundo merece uma história de amor, todos merecemos sentir aquele friozinho na barriga e ser o pensamento de alguém, é ótimo; ser amado é importante. E no filme Com Amor, Simon ele vai apenas afirmar isso e nos mostrar, que para isso acontecer, às vezes temos que passar por alguns bocados e enfrentar certas circunstâncias. O filme é dirigido pelo novato Greg Berlanti e ele conseguiu fazer uma bela adaptação de Simon vs. A Agenda Homo Sapiens.
 
Mas vamos falar do filme. Simon é um adolescente comum, com uma vida comum e que esconde um segredo do mundo: Ele é um garoto gay. Até que um dia, ele conhece um amigo virtual, o Blue, que também é gay e se assumiu recentemente. Bom, não vou ficar dando spoiler para vocês, mas muita coisa começa a acontecer, e ele começa a ter conflitos com ele mesmo, o que acaba fazendo a sua vida se transformar numa verdadeira montanha russa. Simon faz muitas escolhas erradas, e uma bola de neve é formada. Ele se vê sozinho em alguma parte da sua vida, com seu coração partido e seus amigos afastados. Mas a partir dessa situação, o filme nos traz a parte mais importante para a situação, ou o que deveria ser importante, que é sua família. Sua mãe, interpretada pela Jennifer Garner, que não deixou a desejar, e transmite a preocupação materna muito bem, trazendo aquele clichê de que mãe sabe tudo.  E seu pai, vivido pelo Josh Duhamel, que trouxe um estereótipo masculino todo quebrado. 
O filme pode parecer bem romantizado, mas ele consegue fluir bem, visto que foi feito para o público teen. Talvez o roteiro do filme tenha pecado bastante no final, quando os amigos de Simon, o culpam por eventos que ele não poderia evitar.
 
Mas o que eu gostei do filme, foi a maneira que ele mostra o sufoco que uma pessoa homossexual vive, escondida dentro do armário, reprimindo seus próprios sentimentos sem conseguir ser feliz realmente. Por que é assim que uma pessoa que vive dentro do armário se sente, aprisionada dentro dela mesma, sufocada. Durante o filme, a mãe de Simon revela que quando era criança, ele era bem espontâneo, mas a partir do momento que foi crescendo, ela percebeu em como ele se reprimia e sempre se policiava em certas ocasiões, e que ela mesma sabia que ele escondia um segredo, o que é verdade na maioria das vezes, mãe sempre vai saber de algo. Vivemos em uma sociedade machista e heteronormativa. Simon tem que ter coragem para mudar toda sua vida e sua rotina, pois quando você sai de dentro do armário, muita coisa muda, e não é só para você, para as outras pessoas também muda. Pois você nasce e cresce com toda uma expectativa de vida, que as pessoas, sua família, e sociedade impões para você, e a partir do momento que você quebra essas expectativas o choque é real para ambos.
 
O roteiro vai se desenrolando com drama e comédia, tudo bem balanceado, sem deixar o roteiro preguiçoso e muito monótono. Quem dá a vida para Simon, é o Nick Robinson (ele fez Jurassic Word), e ele conseguiu levar o filme muito bem, um ator cativante e carismático. Um ponto positivo também, vai para o elenco que foi escolhido a dedo, já que o propósito é falar com o público teen, Katherine Langford foi uma das escolhas brilhantes, vivendo a Leah, melhor amiga de Simon. Fiquei surpreso em ver Alexandra Shipp (A Tempestade de X-Men: Apocalipse) vivendo Abby, foi uma escolha formidável para o filme. Todo trabalhado na linguagem adolescente e com uma trilha sonora impecável, pode não ser aclamado pela crítica ou Oscar, mas se sai muito bem quando passa sua mensagem.
 
O filme é um lindo clichê de comédia romântica, e por ser feito para o público teen, não revoluciona muito a temática de filmes LGBT+, é mais um filme para você assistir e se encher de orgulho. A gente vê e percebe que a luta LGBT+ é agressiva e não é fácil para muitos que ainda sofrem os problemas que a sua sexualidade causa. O filme vem mostrar como um adolescente gay sofre com os dramas de ser quem é, e como ter coragem para enfrentar tudo isso é essencial. Com Amor, Simon é uma comédia romântica forte, sem ser muito agressiva, o filme consegue se colocar no mesmo patamar que outras comédias românticas teens, como Cidades de Papel por exemplo. Despojado e de uma maneira engraçada, ele fala sobre amor, amizade e em como ser homossexual deveria ser simples, e que todo mundo nessa vida merece um amor verdadeiro.

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