#EspecialOscar | A genialidade por trás de ‘Corra!’

É extremamente triste quando bons filmes não têm a publicidade merecida, ou não conseguem ter um espaço maior que outros trabalhos cinematográficos nas telas do cinema. Lançado em maio de 2017, Corra! É um dos favoritos ao Oscar 2018, e as minhas apostas, é que ele leve todas as indicações, porque o filme merece.
 
Corra! não é definitivamente um terror, ele vai além do suspense e nos mostra como uma combinação de fotografia e trilha sonora fazem um filme ser invejado por tantos outros. Get Out! É um filme muito peculiar, desde o começo até o fim, ele se mostra agonizante e misterioso ao mesmo tempo. É um filme completo e cheio de incógnitas raciais. Ele trata do racismo de uma forma bem sutil, ele não é agressivo, mas de um jeito passivo ele conta como a sociedade se mostra racista com detalhes que a gente e muitas das vezes nem ela mesma, percebe. Com alguns toques de ironia e uma pitada bem pequena de comédia, Corra! se torna um filme extremamente surpreendente e genial.
 
No enredo, Chris é um homem negro, que vai conhecer os pais da sua namorada, Rose, de uma família branca e elitizada. Desde o começo da trama, Rose afirma que seus pais não são racistas. A família de Rose, é particularmente estranha e curiosa, você não sabe ao certo que eles querem ou que eles pensam, e todo o diálogo que eles têm com Chris, é sobre elogios de suas qualidades físicas ou até mesmo pra falar de uma admiração por atletas ou artistas renomados negros. Daí você consegue perceber que as conversas que eles insistem em manter, não se passa sobre pessoa para pessoa, e sim de pessoa para um objeto que está ali para atender as suas “necessidades”. Todo diálogo vira um interrogatório misterioso. 
 
No filme, entretanto, é uma loucura, porque você tem que prestar bem atenção nos detalhes das conversas, pra entender o que o filme quer passar e nos mostrar.
No começo eu pensei que se tratava sobre a Técnica de Psicanálise Neurolinguística (PNL), mas com o desenrolar eu percebi que se tratava sobre Hipnose mesmo, e eu me surpreendi, pois eu não esperava por isso. O tema racial no filme é discutido de forma profunda, mas você consegue perceber que a trama não vai trazer na bagagem apenas questões raciais que todos estamos cansados de ver, ele vai nos contar a forma que a sociedade pensa a respeito da sociedade negra, das formas de tratamentos, até a sua serventia. Trabalho escravo pra ser exato.
 
A trama mostra que apesar de vivermos em uma sociedade evoluída, o racismo e o preconceito, estão embutidos, escondidos, e eles saem de forma sutil, em formas de indagações ou até mesmo elogios e perguntas. E essa agonia de não saber o que a família quer realmente do Chris, vai se tornando bem mais profunda. Existem cenas bem pesadas no filme, como por exemplo a cena em que o Chris é praticamente leiloado em um bingo, é extremamente macabro aquilo.
 
A obra tem toda uma trilha sonora e uma fotografia, que cooperam para esse sentimento agonizante que a trama passa, e que por sinal é belíssima. Não só a produção técnica do filme, mas na atuação do Daniel Kaluuya. Jordan Peele foi sensato em escolher um ator tão bom, a ponto de ser indicado ao Oscar de Melhor Ator. E ele faz jus a indicação. 
 
O filme foi brilhante em fazer uma narrativa onde o estado de alerta é constante do começo ao fim, sem furos nos mistérios, que por sinal foram explicados, na hora certa no momento exato. É fato que, o fundo macabro possui uma forte presença na trama, Chris, o “único” negro, numa reunião de família, (tirando os empegados da família que são ambos negros), onde só brancos confraternizam, que nos mostra de pouco a pouco a sociedade racista e preconceituosa que eles são, mas com pequenos detalhes a gente nota a profundidade do tema.

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